Um dia destes, a Vanda lançou o desafio de partilharmos o que nos faz baixar os níveis de consciência. Respondi cansaço.
De uma forma geral, hoje em dia, consigo manter-me on a não ser que esteja de rastos. Às vezes estou. Muitas vezes.
A vida é exigente.
Sentir injustiça também me faz bater no fundo. O sentido de justiça pode ser relativo, apesar da definição do dicionário me fazer muito sentido. E até se diz que a justiça é cega. Nós também somos às vezes. Preferimos não ver o óbvio.
Estou sentada no quintal a olhar para o meu pequeno jardim cheio de ervas daninhas que prefiro não ver para não ter o trabalho de as arrancar. Plantei erva cidreira, tomilho, hortelã, verbenas e rosas de Santa Teresinha, aquelas pequenas e delicadas que não têm um ar altivo como as outras rosas e que lançam no ar um aroma delicado e intenso. Trepam pelo muro acima suavemente e agarram-se ao que vão encontrando para subirem em direcção à luz. Adoro trepadeiras! Tornam tudo mais bonito, mesmo sabendo que estão sujeitas à condição de terem algo a que se possam agarrar para crescer, que sem alguma estrutura de apoio não conseguem expandir. Tão sábias!!
Conheço uma mata onde as árvores são muito antigas e estão cheias de contornos que parecem dezenas de braços enroscados que se foram fundindo nas suas cascas. Há muito tempo atrás houve uma ou mais trepadeiras que ali se enrolaram e foram crescendo juntas, numa harmonia espontânea que só a natureza reconhece, até se tornarem numa só, num abraço eterno.
Já as ervas daninhas, não costumo adorá-las. Crescem em qualquer lado, ocupando espaço ilegítimo como se fosse tudo delas e sem quererem saber da estética ou do equilíbrio. De certeza que também têm a sua função, quanto mais não seja lembrar-nos que é preciso cuidar do jardim. Ter flores bonitas e canteiros enfeitados exige dedicação e empenho. É preciso estar numa posição desconfortável, meter os dedos na terra, sujar as unhas, arrancar as evasivas uma a uma, mesmo as que são ainda mais resistentes que nós e que nos obrigam a fazer muita força e a ter carradas de persistência ou não vão sair dali.
Na verdade, as ervas daninhas ensinam-nos montes de coisas. Tudo na natureza é uma escola para quem se predispõe a aprender. Como naquela expressão que alguém disse:
- "Quando o aluno está pronto, o mestre revela-se".