sábado, 25 de setembro de 2021

Adenda.


. A nossa energia vital vai diminuindo com o uso e, ao contrário dos telemóveis, nada repõe essa bateria por inteiro. 
Convém escolher criteriosamente como, quando e com quem a partilhamos. 
. Guardar ressentimento faz ferida. 
. As feridas emocionais não tratadas manifestam-se no corpo. Senti na pele e na vesícula. 
. Psicoterapia é uma cura mesmo eficaz que muitas pessoas desvalorizam. 
Mezinhas caseiras também.
. A sabedoria popular é quase sempre útil. 
. Pensar excessivamente nunca é a melhor solução e é um desperdício energético. (Não sou o melhor exemplo nisto)
Viver preocupado com o que os outros pensam, pior ainda. 
. O primeiro instinto geralmente está certo. 
. Certo e errado são conceitos relativos...
. Não se deve comunicar com ninguém quando a pulsação está demasiado acelerada. Só se for para pedir socorro.
. Desacelerar a pulsação é o primeiro passo para a auto reconciliação. Respirar fundo e contar até 10 funciona mesmo, quando nos lembramos de o fazer.
. A água do mar só é muito fria se pensarmos nisso quando entramos nela. 
. Nunca chegamos a conhecer realmente ninguém, inclusive a nós. Estamos em permanente construção. 
. Só nos faz falta quem nos reconhece valor.
. Quem nos reconhece valor nunca chega a faltar-nos e não deixa margem para dúvidas.
. Rir das nossas falhas não significa que somos estúpidos e não queremos evoluir. 
. O humor cura quase tudo. 
. Quando viramos os cantos da boca num sorriso, o cérebro acredita que estamos felizes. Das melhores coisas que aprendi.  Às vezes esqueço-me de praticar. 
. Dizer o que se sente é libertador. Ou não fosse eu, sagitariana. 
. Só algumas pessoas querem mesmo saber.
. O limite não é o céu, é a nossa mente.  
. A preservação de laços devia ser obrigatória por lei. 
. Ouvir boa música, também.
. Quando vestimos um jumpsuit devemos evitar beber muitos líquidos. 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Coisas que tenho aprendido com a vida.

. A maioria das pessoas que sonha com para sempre, nunca fica tempo suficiente para fazer por isso. 
. Quando parece que o mundo está a cair, está efectivamente a fazer as arrumações necessárias para a aprendizagem do momento. 
. As aprendizagens são uma constante. Ou temos boa média, ou deixamos a cadeira para trás, a lição está sempre lá.
. Da minha experiência há lições que são tão importantes e aparentemente complexas que teimamos em aparecer só na parte do recreio. Elas voltam. 
Ainda mais complexas, porque são mesmo importantes e nós mesmo parvos. 
. As pessoas que interessam mesmo, nunca deixam de estar lá para nós. 
Não julgam, não criticam, não procuram desculpas esfarrapadas. Estão. Vêm em qualquer circunstância. Vêem o melhor de nós. Aceitam o nosso pior. 
As pessoas colo, são anjos de guarda permanentes. 
Tenho algumas. 
. Ninguém quer realmente estar sózinho. Todos precisamos de reflexo, mesmo os pseudo sociopatas, pseudo introvertidos como eu. 
. Estar sózinho, às vezes é bom. 
O silêncio é maravilhoso. 
Estar acompanhado em silêncio, também. 
. Quando parece que tudo desaba, é preciso ter sítios de resgate. Os sítios de resgate podem ser as pessoas colo. 
Mas preferencialmente sítios que sejam só nossos,, digo eu, que não sei nada. Praia, memórias doces, cavalos, pincéis e tintas.Teclados para escrever. Criatividade. Cozinha e matérias frescas. Música. Caminhadas, meditações guiadas. Tudo o que sabemos que nos faz voltar a nós. Chocolate...
. Nem tudo na vida tem uma compensação. Aparentemente...
. Chorar é tão libertador quanto rir. 
. A comida vegetariana é melhor digerida pelo corpo. 
. Cantar espanta mesmo todos os males, menos a dor nos ouvidos de quem nos ouve desafinar. 
. Sair da zona de conforto é o mais difícil, mas o mais gratificante. 
. Toda a luz tem a sua sombra. 
. Em sofrimento somos todos iguais. Todos sofremos às vezes. Muito. E nem se nota.
. A realidade é apenas a nossa percepção e não uma verdade absoluta. 
. Não há verdades absolutas. Só a nossa verdade. O que conta é o que nós acreditamos. 
. Um abraço sentido e apertado é uma salvação. 
. Os orgasmos múltiplos não são um mito. Os vibradores são mesmo eficientes, mesmo que não substituam a importância da partilha.
. O karma é real. O medo só é útil às vezes. O amor próprio é a melhor cura e vence todos os medos. 
. Um dia de cada vez é a única forma de realmente viver e não sobreviver. 
- No fim, são as pessoas e os momentos com as pessoas que contam mesmo. 
- Mudança é natural. Estamos em permanente movimento. Quando nós mudamos, tudo à volta fica diferente.
- Viver é um privilégio que pode terminar a qualquer momento. 
- Tudo é mais simples que parece. 
- É sempre uma questão de prespectiva. 
- Os pensamentos têm energia, mais vale virar o foco para o que nos acrescenta. 
- O amor não é o que pensamos.A paixão é efémera. As endorfinas são reais.
- O mundo está cheio de coisas bonitas e outras mesmo feias, nós fixamos o olhar para onde queremos. É uma escolha. 
- Estamos mesmo todos ligados.
- Um coração grato atrai milagres. 
- Todo o pôr de sol é diferente.
- No fim, tudo faz sentido. 


domingo, 19 de setembro de 2021

Ritmos e arritmias.

Quem me conhece mesmo de muito perto sabe que, entre outros, tenho um hábito que pode exasperar algumas pessoas.... 
Fases em que preciso ouvir a mesma música em repeat, todo o santo dia. 
Pode até durar mais que um dia, confesso. 
Costumo justificar, quando alguém resmunga, que o meu cérebro precisa conhecer de cor todos os sons, notas e compassos dessa melodia, cantada ou não, até a assimilar totalmente e a poder libertar. 
Não significa que nunca mais tenha vontade da ouvir depois. São momentos apenas, que me parecem aleatórios e de nada estão relacionados com estados de espírito, acho.
Não preciso sentir-me triste para ouvir música que os outros consideram deprimente, nem corro a ouvir todos os hits dos anos 80, quando me sinto feliz. Não consigo sequer identificar tristeza e alegria na música. 
Ou ressoa em mim ou não, seja porque razão for. O sentido é sempre para cima ou para dentro, nunca para baixo, na minha percepção da coisa.
Tal como na cozinha, o processo de escolha é espontâneo e intuitivo, não consciente. Posso ter sonhado que ouvia esse tema ou acordar com ele a tocar na minha cabeça - juro que o meu cérebro tem uma jukebox - ou pura e simplesmente ir buscá-lo sem perceber porquê, como naqueles dias em que vamos a conduzir e nem nos lembramos por onde passámos quando chegamos ao destino. 
Se ressoa com o momento, repito-o.
Também faço isto com as cerejas, favas e pêssegos rosa de Colares. 
Se é época, preciso aproveitar e comer sempre que posso, para neste caso aguardar serenamente com armazenamento celular suficiente até a colheita do ano seguinte. 
A ciência tem uma explicação para a parte da comida, dizem os nutricionistas que se sentimos falta de chocolate é porque estamos com défice de magnésio ou se morremos por um café, é o corpo a avisar que necessita de ferro e por aí fora.
Enfim, há sempre uma explicação para quase tudo, por isso decidi procurar uma para a minha mania de precisar de repetir exaustivamente as músicas que gosto muito. 
As pessoas gostam de explicações científicas e factos. Isso sossega-as e assim permitem-nos viver como queremos sem acharem que sofremos de alguma psicose.
É um facto, não sei se científico ou não, que música é alimento para o cérebro. 
Também é facto que tudo no universo é energia e que essa energia vibra a determinadas frequências. 
Parece-me óbvio que, se o nosso corpo está consciente da necessidade de vitaminas e minerais também estará da vibração das músicas que precisamos ouvir. 
Toma lá, António Damásio!

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Oximoro

Fecho a porta e não abro a janela. 
Quero o calor suave da luminosidade que invade a sala a esta hora. 
Guardo o silêncio em casa. 
Gosto de setembros e marços, primaveras e outonos. 
Estações das delicadezas.
Gosto da luz doce, média. Amarelada. Quente.
O ano passou muito rápido ou fui eu que voei sobre ele a ritmo tal que nem dei por chegar aqui. 
Se fosse um pássaro não seria um falcão peregrino, a mais veloz de todas as criaturas aladas, nem sei a que velocidade voam os melros, mas pronto, sou humana e o meu tempo interior parece não obedecer a regras comuns, por muito que me custe e me distancie do todo. 
Às vezes não dou por mim... 
Isto de ter um mundo muito próprio, dá um certo desfasamento do resto da vida. 
Por vezes, sinto-me como numa espécie de linha intemporal, quase paralela e em alguns momentos volto à terra. 
É muito fogo-ar, numa só pessoa. 
Toda a gente sabe que o ar quente sobe. 
Corpo presente, alma noutro lugar qualquer. 
Se calhar é por isso que nunca me olho ao espelho.
Cozinhar faz-me descer, mesmo que viaje durante o processo. É uma viagem de regresso. O foco vem com a entrega ao momento. Quando tenho dificuldade em enraizar, pôr os pés no chão e a mente no coração, recito uma espécie de mantras que me seguram.
Mantra - segundo a wikipédia, esse monstro incontornável de sabedoria contemporânea - " Fórmula mística e ritual recitada ou cantada repetidamente pelos fiéis de certas correntes budistas e hinduístas. O termo é uma palavra em sânscrito que significa 'controle da mente'."
Como em tudo na vida, tenho que me desviar da corrente e estabelecer o meu próprio método desordenado. 

- Abrunhos, allperces, alecrim, batata doce, beterraba, brócolos, coentros, couve roxa, curcuma, figos, framboesas, maçãs, mangas, maracujá, mirtilos, nabos, nigela sativa, paprika, pimentos, pleurotos, sálvia, tomilho.

Dá sempre jeito ir variando ingredientes, mas ir chamando por eles. 
Eles chamam por mim. Eu venho. 
Apalpo, cheiro, descasco, corto, parto, envolvo, misturo, fundo, transformo e sou transformada num momento sem lugar, sem pesos ou medidas, nem receitas. 
Aqui e agora. A ordem do meu caos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Impressão digital.

Saio da praia já com sabor a outono. Deixo o mar e o areal quase vazio. Ficam as gaivotas. Trago conchas. 
O regresso do sossego está à porta. 
A chegar. 
A luz dourada. O aroma das uvas morangueiras. As folhas que voam para dentro do quintal. Vento. Libertação. 
Não quero arrancar as ervas do meio das pedras. Se nascem fortes e resistentes, sem água ou cuidados, se crescem, tão persistentes, porque não as hei-de deixar estar? Que sejam o que querem ser. 
Que estejam. Livres. Daninhas, inúteis, sobreviventes, indesejáveis. 
Presas à vida. Sem pressa. 
Dão cor ao chão que piso. Suavidade.
Impulso, pirueta, improviso. Instinto. 
Detesto manuais. Não faço só porque sim. Gosto de rituais. Pés descalços. O sol ainda queima. O peito aperta.
Quero sempre mais. Não quero mais do mesmo, quero mesmo o mais. Ar.
Água fresca. Final do dia. A neblina. 
Rego as plantas. 
A melancolia. 
Dispenso a tristeza. 
Às vezes também dispenso a alegria. Fico pelo limbo. O limbo é a melancolia. 
A simetria. A polpa. A essência.
O resto cansa. 
Será que as árvores se cansam de dar frutos? O sol às vezes não brilha. 
A gata no canteiro, pensa que é flor.
A espera. A solitude que fica. As promessas. Amanhã é outro dia. O silêncio. A primeira estrela no céu.
Cabeça dura. Corpo mole. O alecrim secou. O ar denso e pesado do verão em despedida. Trovoada. Vento forte. As folhas em rodopio. Os sons da tarde. A maresia. Pele morena a colar. Olhos húmidos. 
Forno quente. A sétima de Beethoven.
Os cheiros. Sinfonia.
Bolo de banana e chocolate. Teimosia.
Lembrete : Não deixar migalhas no chão para esquecer regressos. 

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

oirártnoc oa odnuM

Peguei no elástico e enfiei-o no pulso. Esqueci-me que tinha cortado o cabelo. 
Não sei ainda se me sinto mais leve ou mais vazia. Curiosamente, sinto-me mais feminina livre de preconceitos. Como me esqueço de olhar ao espelho ainda não me reconheço no novo visual. Veio uma vontade tão grande de largar as folhas mortas, agora que o outono já está quase a chegar, afinal é a minha estação favorita. Devia ter um planeta só meu para viver o mundo da minha cabeça. Sei que alguém já inventou isto. Mas não queria ser princesa, nem ter coroa, rosas, raposas e vulcões ou algum cargo importante, sequer. 
Não queria mandar. Só tomar conta. 
Um mundo com as minhas pessoas, mares, tuyas e flores raras, montes de árvores de frutos e animais, de preferência exóticos, daqueles estranhos que fazem medo por serem diferentes. 
Podia ter pessoas que não fossem minhas, desde que também fossem exóticas e estranhas, fora das caixas que os deste mundo criaram. Tudo o que fosse diferente seria útil e bem vindo. 
Talvez lhe chamasse - o planeta sem caixas. 
Se calhar teria de regras, mas regras de  acordo comum. Seríamos poucos para evitar confusões. 
Levava os poetas e os músicos, é certo. Talvez também levasse os pintores e escultores, artistas em geral. 
Idealistas e altruístas. Voluntários e activistas. Gente que vê tudo de pernas para o ar. 
Lados B de discos e candeias das às avessas.
Também queria filósofos, romancistas e românticos. 
Sonhadores e concretizadores. Gente de pavio curto, mas coração longo e profundo. Palhaços, claro. Médicos e pessoas sem fronteiras. Bruxas e xamãs. Cuidadores e pessoas cuidadosas, atentas, preocupadas com o que importa. Professores de matérias mesmo úteis. Sábios e aprendizes cheios de boa vontade. Corajosos e destemidos. Pessoas que não desistem quando é preciso desbravar caminhos densos. Aventureiros e improvisadores. Criativos e intuitivos. Agricultores. Jardineiros. Cozinheiros, obviamente. Cantores e bailarinos.
Nada de WiFi, Google ou dicionários. Não posso com dicionários, nem com definições relativas de significados. Cada um sabe o que significa para si. Talvez a linguagem verbal fosse desnecessária e cada um comunicasse através da sua maior competência. Não teria dinheiro ou moedas. Só trocas, equilíbrios e simetrias assimétricas, com sentido para o todo. Também teria orquestras desafinadas à procura do tom e toda a fruta com grainhas do mundo. 

Desafinada

"Ressonância é o fenômeno em que um sistema vibratório ou força externa conduz outro sistema a oscilar com maior amplitude em frequênci...