quarta-feira, 10 de março de 2021

Apolo's rising

O sol entra pelas frestas da portada verde, quando abro os olhos. Vai ser um bom dia. O astro rei define humores como ninguém até à chegada do verão. Aí os dias são sempre luminosos, queixamo-nos de outra coisa qualquer. Bem, quando vivemos em Sintra isto não é regra, é verdade.Temos direito a usar este argumento mais amiúde. 
Devia bastar estar sol, cheirar a mar e não ter horas para sair da cama espaçosa e quentinha, mas parece que ainda não chega para acalmar o desassossego. 
Será o que fazemos que nos define como pessoas? Dois meses sem trabalhar e sem grandes perspectivas é como estar a voar num tapete mágico que ao olhar para baixo percebo que não existe e isso pode implicar cair sem saber bem como ou onde. A magia da indefinição é que tudo pode acontecer. A caminho da queda lenta, longa e algo vertiginosa - sim, as vertigens desde a subida à Tour Eiffel - há tempo para equacionar e questionar toda uma existência que fica para trás. 
Onde começou tudo e em que parte foi deixando de fazer sentido? Quem era eu antes dos cursos, filhos, empregos e da busca incessante pelos dons e amores recíprocos e eternos. 
O que me acrescentou mesmo a sério e me deu pano para as mangas desta pele que visto? Quem serei eu agora, depois de filhos quase criados, alguns amores frustrados e completamente desconfigurada do currículo de vida... 
Há uma frase de Nietzsche que li uma vez e me ficou para sempre:
- "As convicções são cárceres. Mais inimigas da verdade do que as próprias mentiras."
Ora, convicções tem sido o meu sobrenome desde que nasci. Esse é de certeza o factor essencial da equação onde sou a incógnita. 

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