O calor precoce e intenso do dia, transforma-se em frio atrasado e em demasia depois das oito. Não me desagrada de todo a ideia de biquínis e limonadas frescas, durante o sol da tarde e lareiras com chá fumegante, na sala, à noitinha.
O melhor de dois mundos num só dia.
O céu está cheio de estrelas e a lua em crescente. Contemplar os astros ajuda-me a colocar tudo o resto em perspectiva. Conhecemos durante a vida quase tantas pessoas como as estrelas que consigo contar daqui, sem óculos. Enquanto algumas ficam para sempre e também nos vão iluminando pelos caminhos e crescendo connosco, como a lua, outras vão para galáxias diferentes, fazer outras coisas e pairar sobre outros mundos e outras pessoas.
Não sei se será aleatório quem vai e quem fica, quem desaparece de vez ou quem regressa depois de algumas voltas ao sol.
Nem se teremos algum poder de decisão e escolha ou se dependerá apenas do que ficou escrito no céu que viveríamos um dia, mesmo que contra a nossa vontade.
Olhar assim para a noite estrelada em fascínio inexplicável, também me lembra que não nos basta estar sobre o mesmo céu para ter algum conhecimento ou controlo na imprevisibilidade dos acontecimentos da vida. Nunca olhámos para uma estrela ao perto, mas sabemos que são tão bonitas...
Já a olhar para os humanos, este astigmatismo pode ser perigoso. Até mesmo bem de perto nunca os vemos na sua plenitude.
As estrelas são o que são. Há pessoas que nem por isso. Ofuscam tanto com a sua luz que ignoram a própria sombra, para se agarrarem à ideia que brilham o suficiente para serem vistas. As estrelas não querem saber disso. Limitam-se a ser o que são, nunca se escondem nem fingem ser outra coisa além de poeiras, hélio e hidrogénio.
Sabe-se, que quando duas delas estão em órbitas relativamente próximas, a interação gravitacional pode causar um impacto significativo na evolução de ambas.
Seria maravilhoso se algumas pessoas também conseguissem evoluir, afinal somos todos feitos do mesmo pó estelar.
Sem comentários:
Enviar um comentário