O horóscopo de hoje diz para descontrair e tentar não controlar os acontecimentos.
É uma notificação que recebo de uma App que insiste em acordar-me para a vida com esta sabedoria intemporal.
Mesmo quando não leio a mensagem no dia, acaba por ser útil noutra altura qualquer, por isso deixo-a ficar.
A previsão para hoje, por exemplo, é daquelas que me dá jeito ler todos os dias e às vezes muitas vezes ao dia, confesso.
Basta distrair-me um bocadinho da demanda da evolução pessoal e lá estou eu outra vez a tentar armar-me em arquitecta do meu universo.
De onde nos virá o impulso para avançar quando o caminho é acidentado e todos os sinais estão aparentemente amarelos, a cair para vermelho?
Será o optimismo uma espécie de dissonância cognitiva? O cérebro daltonico a querer convencer-nos que a nossa intuição sofre de caquexia, basicamente.
-Ah, aquele amarelo é mesmo muito verde.
Ou há percursos que sabemos que têm de ser caminhados mesmo com a certeza que nos vamos esfolar e se calhar partir qualquer coisinha?
Teremos um gps masoquista para aprendizagens incontornáveis que volta e meia nos vira o norte quando estávamos de malas feitas para oeste - porque é mesmo preciso passar por lá?
A confiança em excesso pode ser letal mas obriga-nos a seguir em frente.
A insegurança e a hesitação podem ser um género de disfarce que nos leva acreditar no desenlace espontâneo dos acontecimentos, sem que tenhamos que tomar decisões, mas de uma forma ou outra, no fim acabamos sempre por chegar onde era suposto.
Se não chegarmos, é porque não é o fim.
Sentimos o mesmo por aqui. Talvez devido ao nosso positivismo e porque sabemos que se cairmos, rapidamente nos levantamos e era porque não era para ser.
ResponderEliminar