16-12 - a minha data de nascimento em tensão arterial quatro dias seguidos. Pulsação acelerada e silenciosa e eu calma, ou a achar que estou.
Durante anos era tão fácil disparar-me o ritmo ... nada como uma ocupação forçada de espaço, uma invasão explícita de pensamento ou uma injustiça imposta qualquer para que todas as minhas células que se dividem em fogo e ar, entrassem rapidamente em combustão.
Nisto, preciso algum tempo para compreender e analisar cenário, respirar fundo, acalmar o coração. Numa fracção de segundos, o sangue bombeia de 0 a 100 como se eu não mandasse em mim.
Hoje já é um pouco diferente. Não que seja invadida por um ritmo zen imperturbável e que lembre sempre a importância da respiração e de um modo de estar constante em perfeita mindfulness - passo a vida a esquecer-me. Até de respirar!
A tampa continua a saltar-me e ainda é relativamente fácil, o fenómeno, a quem estiver tentado a testar. Mas há um factor que faz toda a diferença e que está cada vez mais presente - hoje, eu testemunho ao longe o que está a acontecer em mim e consigo compreender-me sem que o fogo descontrolado me consuma. Cada vez mais. Compreender, é essencial.
A compreensão é pessoal e intransmissível, no fundo é um processo de digestão mental, até que nos faça sentido e seja absorvido pelo coração, quando mais leve e limpo.
Sei que há coisas minhas completamente incompreensíveis a outros, até o facto de me ser cada vez menos importante a opinião exterior.
Quem importa, compreende.
Sempre achei que era diferente. Todos somos, eu sei. Mas há pessoas que se adaptam a tudo e não procuram sequer o sentido. Vivem apenas e são felizes assim. A mim, é o que me faz sentido que me faz feliz.
Também durante anos me preocupei, que ao ser diferente, pudesse parecer arrogante. Também sou arrogante a tentar ser o que não sou, mais vale assumir, que assim faz muito mais sentido.
Resumo a minha vida a mim, hoje, em primeiro lugar e sem me importar no que isso pode parecer aos outros. Não faço listas mentais de prioridades de afectos, mas é-me muito claro que quem está no meu coração - e quem entra, fica, a não ser que prefira sair, a liberdade é sempre uma escolha - tem sempre tudo de mim, a qualquer hora e em qualquer lugar. As minhas pessoas são fundamentais à simetria emocional que preciso sentir.
As outras pessoas, as dos julgamentos e das verdades absolutas, as dos devias era fazer assim e não assado, as que questionam opções e maneiras de estar que fogem ao que é considerado normal nas suas lindas mentes com tanto ainda para abrir, têm de certeza todo um percurso de descobertas inéditas pela sua frente. Ou não, passa-lhes ao lado tudo o que realmente importa. Não que eu saiba o que é mais importante aos outros, também não tenho verdades absolutas, nem quero ter.
Mas tenho a minha verdade e quero vive-la. Faz-me bem ao coração.
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