Nasci com o rabo voltado para a lua.
Mesmo ao fim de quase uma semana de xarope para a humildade e convicções abanadas - do mal, tenho sempre o menos.
Sim, vou continuar a ver o melhor em tudo.
Mas, se calhar o melhor é falar baixinho que aprendi a custo sussurrado que grandes lições vêm do silêncio e de sonos profundos.
Cinco dias sem café.
Abençoada cevada que reconforta e desperta sem acelerar a pulsação.
Aprendi uma coisa nova - é toda uma redescoberta uma rotina sem cafeína.
Vou ter que chegar a um acordo com o meu bioritmo pois se calhar sou mais tranquila do que pensava. Três bocejos seguidos e duas valentes espreguiçadelas depois, o sol brilha e cheira a primavera e a novo dia.
Vamos ao que interessa que é para inverter o sentido - o jasmim que a Laurentina me ofereceu está florido. A amizade que perdura e perfuma por muito que passe o tempo.
A glicinia que insisto em levar de casa em casa há anos, é mais persistente que eu - isto sim, é de valor - e as suas raízes profundamente decididas rebentaram finalmente um festim de folhas primaveris, depois de um pseudo inverno de aparentes hesitações em que demos tudo por perdido.
Afinal, parar não é morrer.
Sigo o exemplo da flora resiliente do meu pequeno habitat e arrumo duas das quatro gavetas a que me propus ao som da nova lista de canções escolhidas a dedo de amor.
Fiz uma sopa poção mágica, um chá de ervas espanta males e aproveitei para espantar também todos os pensamentos que não me acrescentam.
A natureza ensina-nos sempre tudo o que precisamos saber quando paramos para ouvir. Eu se fosse uma flor seria uma glicinia, a superar qualquer obstáculo com grande estilo.
Sem comentários:
Enviar um comentário