quarta-feira, 7 de abril de 2021

Nós e laços.

Podia falar de glicínias, tenho uma história que começa assim, com esse aroma - tão intenso - que mesmo depois das flores caírem, os cachos ficarem despidos e no outono restarem apenas os ramos do tronco em contorção firme e espontânea, abraçados ao que sentem que os leva na direcção da luz, o perfume permanece em espera serena até que a primavera compreenda que é preciso voltar. 
Se este momento presente fosse noutra estação do ano, hoje teria sido primavera, ainda assim. Pela glicínia e pelos laços que resistem ao tempo e à distância. 
Por vezes passamos pelos sítios e trazemos recordações, eu gosto de trazer pedras, ramos ou folhas de algumas árvores e às vezes pessoas. Algumas, ficam-me no coração em formato de raízes que também se enrolam à volta e me vão fazendo florir momentos, mesmo ao longe, como uma presença constante, aconchegante e luminosa. As pessoas primavera, que tenho polonizado por este mundo fora, representam para mim o mesmo que a estação dos recomeços, uma energia muito forte e intensa, típica de novas etapas, em jeito de gerador sustentável e inesgotável, que nos torna capazes para quase tudo com um sorriso na cara. 
E mesmo com mais vontade de acarinhar continuações, que de me dedicar a novos começos, não quero saltar etapas, nem perder este aroma, tão promissor no ar.

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